Copasa será privatizada: Assembleia de Minas aprova projeto e processo segue para sanção

A privatização da Copasa já não é mais uma hipótese. A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou o projeto que autoriza o governo estadual a transferir o controle da companhia para a iniciativa privada. A decisão encerra a fase de votação no Legislativo e inaugura um novo capítulo na gestão da água e do saneamento no estado.

A Copasa, responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto em centenas de municípios mineiros, deixa de ser uma empresa sob controle direto do Estado após uma votação marcada por embates, discursos duros e forte resistência da oposição.

Uma decisão política com impacto direto na vida da população

O governo defendeu a privatização como uma saída para acelerar investimentos, cumprir metas de universalização do saneamento e aliviar a situação fiscal de Minas Gerais. Segundo esse argumento, a entrada do capital privado permitiria mais eficiência, mais obras e mais rapidez na expansão dos serviços.

Do outro lado, deputados contrários ao projeto alertaram que a água é um bem essencial, não uma mercadoria, e que a lógica do lucro pode se sobrepor ao interesse público. Para esses parlamentares, a privatização representa a perda do controle social sobre um serviço básico, que afeta diretamente o custo de vida da população.

O fim do referendo popular

Um dos pontos mais criticados durante todo o processo foi a retirada da obrigatoriedade de consulta popular. Antes, a privatização de estatais como a Copasa dependia de referendo, ou seja, da decisão direta da população. Essa exigência foi eliminada por meio de uma mudança na Constituição do Estado, permitindo que a decisão fosse tomada exclusivamente dentro da Assembleia.

Para críticos da medida, essa mudança afastou a população do debate e concentrou uma decisão estratégica nas mãos de poucos.

Como foi a votação

O projeto foi aprovado com maioria confortável, refletindo a força da base governista na Assembleia. Parlamentares alinhados ao Palácio Tiradentes votaram a favor da privatização, enquanto a oposição tentou barrar ou adiar a votação, argumentando que o tema exigia mais debate público e transparência.

Mesmo com protestos e tentativas de obstrução, o texto passou e agora aguarda os próximos passos formais para que o processo de desestatização seja iniciado.

O que muda a partir de agora

Com a aprovação do projeto, o Estado está autorizado a vender o controle da Copasa. Isso não significa que a privatização acontece de forma imediata, mas abre caminho para negociações, estudos de mercado e definição do modelo de venda.

Na prática, a gestão da água e do esgoto em Minas Gerais poderá passar a ser conduzida por grupos privados, com contratos, metas e fiscalização a serem definidos.

Um tema que não se encerra na votação

A aprovação da privatização da Copasa não encerra o debate e pelo contrário. Ela amplia a responsabilidade de fiscalização por parte da sociedade, dos órgãos de controle e dos representantes políticos.

A pergunta que fica não é apenas quem vai administrar a empresa, mas como será garantido que o acesso à água continue sendo um direito, e não apenas um negócio.

✅ Deputados que votaram a favor da privatização da Copasa (53)

  1. Adalclever Lopes (PSD)
  2. Adriano Alvarenga (PP)
  3. Amanda Teixeira Dias (PL)
  4. Antonio Carlos Arantes (PL)
  5. Arlen Santiago (Avante)
  6. Arnaldo Silva (União)
  7. Betinho Pinto Coelho (PV)
  8. Bim da Ambulância (Avante)
  9. Bosco (Cidadania)
  10. Bruno Engler (PL)
  11. Carlos Henrique (Republicanos)
  12. Carlos Pimenta (PDT)
  13. Carol Caram (Avante)
  14. Cássio Soares (PSD)
  15. Charles Santos (Republicanos)
  16. Chiara Biondini (PP)
  17. Coronel Henrique (PL)
  18. Delegada Sheila (PL)
  19. Delegado Christiano Xavier (PSD)
  20. Doorgal Andrada (PRD)
  21. Doutor Paulo (PRD)
  22. Doutor Wilson Batista (PSD)
  23. Dr. Maurício (Novo)
  24. Duarte Bechir (PSD)
  25. Enes Cândido (Republicanos)
  26. Eduardo Azevedo (PL)
  27. Gil Pereira (PSD)
  28. Grego da Fundação (Mobiliza)
  29. Gustavo Santana (PL)
  30. Gustavo Valadares (PSD)
  31. Ione Pinheiro (União)
  32. João Magalhães (MDB)
  33. Leandro Genaro (PSD)
  34. Leonídio Bouças (PSDB)
  35. Lincoln Drumond (PL)
  36. Lud Falcão (Podemos)
  37. Maria Clara Marra (PSDB)
  38. Marli Ribeiro (PL)
  39. Mauro Tramonte (Republicanos)
  40. Nayara Rocha (PP)
  41. Neilando Pimenta (PSB)
  42. Noraldino Júnior (PSB)
  43. Oscar Teixeira (PP)
  44. Professor Wendel Mesquita (Solidariedade)
  45. Rafael Martins (PSD)
  46. Raul Belém (Cidadania)
  47. Roberto Andrade (PRD)
  48. Rodrigo Lopes (União)
  49. Thiago Cota (PDT)
  50. Tito Torres (PSD)
  51. Vitório Júnior (PP)
  52. Zé Guilherme (PP)
  53. Zé Laviola (Novo)


❌ Deputados que votaram contra a privatização da Copasa (19)

  1. Ana Paula Siqueira (Rede)
  2. Andreia de Jesus (PT)
  3. Beatriz Cerqueira (PT)
  4. Bella Gonçalves (PSOL)
  5. Betão (PT)
  6. Celinho Sintrocel (PCdoB)
  7. Cristiano Silveira (PT)
  8. Doutor Jean Freire (PT)
  9. Elismar Prado (PSD) (por exemplo — alguns jornais marcaram presença em protestos)
  10. Hely Tarqüínio (PV)
  11. Leleco Pimentel (PT)
  12. Leninha (PT)
  13. Lohanna (PV)
  14. Lucas Lasmar (Rede)
  15. Luizinho (PT)
  16. Marquinho Lemos (PT)
  17. Professor Cleiton (PV)
  18. Ricardo Campos (PT)
  19. Ulysses Gomes (PT) 

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